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Hidrelétrica de Belo Monte

Recebi um email de uma amiga há uns 2 dias falando sobre o projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e passou alguns sites sobre o assunto (O ECO e Fase). A partir desse reboliço, acabei me lembrando de uma possível atividade que pode ser feita com um problema atual e que pode gerar uma boa discussão em sala de aula, além de trabalhar o senso crítico dos alunos.

A UHE Belo Monte (que provavelmente vai ser criada no Rio Xingu, no Pará) pretende gerar 11.233 MW de energia [fonte: Portal EnergiaHoje] , além de ser citada como fonte de geração de emprego e prosperidade para populações menos favorecidas. Esse projeto faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e, de acordo com o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc:

“Alteramos as dimensões da área a ser inundada, que caiu de 1.200 km2 para apenas 500 km2, sendo que deste total metade já é inundada normalmente em períodos de cheia – o que significa que serão apenas cerca de 250 km2 de área a serem efetivamente inundadas, para gerar cerca de 11 mil megawatts (MW) de energia” [fonte: Agência Brasil]

Os benefícios que a energia elétrica pode trazer são incontáveis, mas vale a pena pensarmos em qual será o impacto desse alagamento de “apenas cerca de 250km2“. Quantas árvores, animais vertebrados os únicos animais que as pessoas comuns enxergam e se preocupam são os mamíferos, mas temos répteis, aves, enfim, vários outros, animais invertebrados, fungos, bactérias e tudo mais que lá está serão impactados na maioria dos casos, mortos, para ser mais explícito com o alagamento da região?

Além disso, quantas famílias terão que se deslocar da região a ser alagada e terão que ser realocadas em outro local? As pessoas podem até dizer que haverá resgate de fauna, corte das madeiras nobres, toda a mobilização necessária para um resgate… mas o que isso vai adiantar? E o quanto vai custar?

Enfim, isso foi só um panorama do que o pessoal responsável pela aprovação ou não de um projeto desses deveria ter pensado, mas não tenho certeza se pensaram em tudo mesmo. Só para constar, segunda-feira, dia 1º de fevereiro de 2010, foi aprovada a licença prévia para a construção da hidrelétrica de Belo Monte…

Bom, mas vamos à atividade:

1 - divida os alunos em 4 grupos: moradores da região, governo, ecochatos e biólogos. Os moradores da região terão que apresentar argumentos para que a hidrelétrica não seja construída na região; O governo terá que defender que a criação da hidrelétrica será positiva para o crescimento da região e da nação; os “ecochatos” terão que defender a região com unhas e dentes para que a hidrelétrica não seja construída (o papel deles é representar a parcela da população que é mais passional que racional nas questões que envolvem a destruição do meio ambiente); e os biólogos deverão fazer o levantamento do impacto ambiental que a implantação da usina causará;

2 - uma vez que os papéis já foram definidos, é importante dar aos alunos um direcionamento de onde procurar informações sobre o assunto, para que possam adquirir conhecimento e usá-lo para defender seus pontos de vista (no caso, o ponto de vista do grupo que pertencem). Marque a atividade para alguns dias depois de ter explicado o que ser feito e onde buscar as informações;

3 - no dia da atividade, você será o responsável por ministrar a discussão, sem transparecer o seu ponto de vista: você será apenas o mediador da discussão! Como em um debate político, dê alguns minutos para que cada grupo elucide seus pontos de vista (pode ser de 2 a 5 minutos para cada grupo). Saiba que, nesse período, os alunos podem fazer perguntas para os outros grupos, mas que só devem ser respondidas na seguinte rodada;

4 - cada grupo tem uma réplica, ou seja, pode usar essa nova rodada (2 minutos apenas) para expor suas respostas ou complementar seus discursos. Caso você perceba que a discussão está muito boa, deixe mais uma rodada (de 1 minuto apenas) para que façam suas considerações finais ou respondam alguma “acusação” de outro grupo.

5 - encerre a discussão, deixando a discussão em aberto, sem que haja um vencedor. É importante conversar com os alunos depois da discussão e perguntar qual dos grupos se apresentou melhor (o que não quer dizer são os vencedores), que trouxe argumentos mais fortes do que os outros grupos.

Garanto que essa atividade dá ótimos resultados e é completamente diferente a cada vez que for aplicada. E, mais do que isso, trará uma visão importante sobre questões que acontecem no dia-a-dia, mas que eles normalmente não ficam sabendo.

Para auxiliá-los, coloquei dois vídeos que defendem a não implementação da hidrelétrica. E também vai um texto que defende a implementação da hidrelétrica (clique aqui).

Aqui são dois vídeos provocativos… os dois são da queridíssima ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, falando uma besteira antológica, na minha singela opinião. Não gostava dela antes de ver esse vídeo, passei a gostar menos. No segundo vídeo, podemos ver a cara do Minc após a frase da excelentíssima Dilma.

Bom, aqui eu transpareci um pouco a minha opinião, mas na hora da atividade, fiquem atentos para não fazer a mesma coisa! E depois, deixem um comentário de como foi a atividade!

Até mais!

UPDATE: Consegui o link direto para o Relatório de Impacto Ambiental da UHE Belo Monte

A imagem da área da UHE Belo Monte foi encontrada no Terra Magazine.

2 to “Hidrelétrica de Belo Monte”


  1. Ju says:

    Géps, outra atividade que pode ser feita (e deve), é uma discussão sobre energia, e as vantagens do “rendimento” de cada fonte energética (fóssil, térmica, nuclear, eólica, solar, cogeração, etc) em relação ao seu impacto ambiental.

    Agora que eu tô trabalhando com cana, posso dizer pras pessoas como funciona a geração de energia em uma usina, o que não é muito difundido por aí na mídia.
    Vamos lá: as usinas plantam cana, colhem e levam pra moer pra extrair o caldinho que vira açúcar e/ou etanol. O que sobra no fim é o bagaço da cana, e ele é aproveitado sendo queimado em caldeiras gigantes para produzir energia a partir da queima. O que ninguém fala também é que a maioria das usinas é auto-suficiente em consumo energético, ou seja, todo esse bagaço que elas queimam gera energia pra alimentar todos os processos da usina. Com a história de acabar com a queima da cana pra colher, as máquinas colhem de um jeito que elas despalham a cana na hora e deixam boa parte das folhas no campo. E como as folhas-palha (ainda) não são aproveitadas pra fazer etanol, parte delas acaba sendo levada pra queimar nessas caldeiras, pra produzir mais energia. O tanto de energia que vai gerar depende da pressão da caldeira. E infelizmente, muitas usinas ainda tem caldeiras de baixa pressão, que não rendem tanto como uma mais avançada, de maior pressão. As usinas que tem caldeias mais modernas são capazes de produzir energia pra abastecer seus processos e ainda exportar pra rede pública!

    Agora que vem o legal: a usina hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil, tem capacidade instalada de 14mil MW. Mas alguns dados que nós calculamos dizem que, se todas as caldeiras das usinas fossem trocadas por caldeiras mais modernas, a capacidade de geração de energia das usinas de cana do Estado de São Paulo seria praticamente duas vezes a de Itaipu!!

    Entrando numa questão mais política, se o governo realmente quisesse investir em energia limpa e renovável, deveria dar oportunidades para modernizar as usinas. Considerando que o setor tá se expandindo pra caramba no estado de SP e no Brasil, a política deveria ser de aproveitar um cenário como este…mas tem aquela maluca da Dilma querendo construir termelétricas a rodo, então não tenho muitas esperanças…

    Fim! :)

  2. Gepeto says:

    Oi, Ju!

    Muitíssimo obrigado por compartilhar todo esse seu conhecimento aqui!

    Gostei muito da ideia de se fazer uma discussão sobre as vantagens e desvantagens presentes nos diversos tipos de fontes de energia em relação ao impacto ambiental gerado por cada um. Fiquei bastante intrigado com a capacidade de geração de energia das usinas de cana… será que você poderia indicar alguns documentos ou sites para que nós pudéssemos dar uma olhada?

    Mais uma vez, muito obrigado pela colaboração!

    Até mais!



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